Como seria se eu fosse pra Lua:
"Tem horas que tudo que a vida faz é nos empurrar pra bem longe. O que que a gente faz? A gente vai. A gente vai atrás do que a gente nem sabe direito o que é. A gente sai correndo, a gente esquece de tudo, esquece de todos, até chegar lá. Porque é justamente lá no meio do nada, embrenhado naquele silêncio, que parece que corta a gente ao meio, que só lá que a gente consegue ter na nossa cabeça, finalmente, aquela clareza que a gente tanto procurava sem saber. E fazer música pra mim é botar ordem nessa barulheira que é a vida que a gente leva. É fazer com que esses caminhões lá fora, o sangue na TV, a gritaria das ruas, a injustiça dos nossos dias, aquelas pressões que chegam acabar com a nossa vontade de viver, é fazer com que tudo isso pare. Com que tudo isso se harmonize nem que seja por alguns minutos. Porque as vezes eu penso, a gente briga pra ter paz. A gente chora pra poder sorrir. A gente grita as vezes porque a gente quer que as pessoas ouçam o que a gente canta. A gente vive pelos que se foram, a gente morre pelos que ainda estão aqui. E eu sinto que as vezes a gente precisa dar de cara com o muro mesmo, a gente precisa ver no horizonte o fim da linha, até que um auge e desespero a gente apalpa a nossas próprias costas e vê nelas um surgimento de um par de asas. É nessa hora que a gente percebe que enquanto a gente acreditar nisso tudo que a gente faz, colocar cada gota do nosso sangue, nosso suor, nisso que a gente faz, e continuar fazendo isso, enquanto houverem forças, o que a gente tem nas nossas mãos, é INFINITO."
